E você resolve sair gatinha pra arrasar e conhecer pessoas novas. E troca, troca, troca, e acaba caindo na regata branca, no
tênis com
vestidinho, no lenço, no
coletinho jeans. E passa perfume, e arruma o cabelo, lápis preto no olho,
rímel pra dar volume,
blush e afins. Sai linda, poderosa, som do carro no máximo volume, no melhor rock de
menininhas e uma
heineken gelada na mão. E se depara com ela, a convidada que não tem um milímetro de gordura extra, um fio de cabelo fora do lugar, de calça
jeans e plataforma. E fica aquela
guerrinha de leve, natural entre os opostos, mas nada muito agressor. De um lado a pitada de inveja de ser mais
moderninha; do outro, de ser mais
perfeitinha. Mas lá pelas tantas da festa, aparece ela; o meio termo de tudo, mas não num bom sentido. Ela que, de calça de
termocolante prata e
Crocs,
saruel de
oncinha e bico fino, 'feito cobra mal matada, rebola, e eles passam mal'. E no fim da festa você se descobre ali, ao lado da
perfeitinha, porque afinal, vocês duas se dedicaram incessantemente aos termos do bom vestir, de bem apresentar-se, e eles, os mais gatos da festa, só olham pra 'ela'. E se fosse pra
perfeitinha, você até entenderia. E se fosse pra você, ela também entenderia. Como não é, só lhes resta ficar juntas no fim da festa, no canto de vocês, bebendo uma bela cerveja e trocando músicas por
bluetooth.